Que o lubrificante automotivo
reduz o atrito entre duas peças
muita gente já sabe. Mas é
importante ressaltar que essa
é apenas uma das funções desse
componente. Entre as outras
estão limpar o motor, recolhendo
as partículas deixadas no processo
de combustão, e refrigera-lo
por meio da transferência de
calor. Além de evitar a corrosão
das peças envolvidas e proibir
a entrada de resíduos que possam
contaminá-las.
Agora que a teoria já foi apresentada,
vamos à parte prática. Como
saber qual o lubrificante certo
para cada carro? E qual o significado
de todos aqueles números e
siglas? O primeiro passo é
verificar, no manual do proprietário,
o tipo de óleo indicado pela
montadora para o motor do possante.
Há três tipos de óleo lubrificante
automotivo: o mineral, o semi-sintético
e o sintético. A diferença
está nos tipos de base lubrificante
usados na fabricação. Estas
podem ser produzidas nas refinarias
de petróleo (mineral) ou nas
usinas químicas (sintética).
A Sociedade dos Engenheiros
Automotivos (SAE), é quem classifica
o grau de viscosidade dos lubrificantes
aceitos pelas montadoras e
pelos próprios fabricantes.
De acordo com a instituição,
os óleos lubrificantes são
divididos em dois grupos: os
de “verão”, cuja viscosidade
é medida a altas temperaturas
(SAE 20, SAE 30, SAE 40, SAE
50 e SAE 60); e os de “inverno”
(winter, em inglês), identificados
pela letra W. com viscosidade
medida a baixas temperaturas
(SAE 0W, SAE 5W, SAE10W, SAE
15W, SAE 20W e SAE 25W).
A utilização de lubrificantes
impróprios reduz a vida útil
dos componentes, entre outros
problemas. O uso de um lubrificante
mais fino que o indicado pela
montadora, por exemplo, forma
uma camada incapaz de evitar
o atrito das peças. Já o mais
grosso exige um gasto maior
de energia da bomba de óleo.
Ou seja, além de consumir mais
combustível, acelera o desgaste
dos componentes que ficaram
sem película lubrificante naquele
período.
Alguns óleos são classificados
como multiviscosos por atenderem
simultaneamente as duas exigências.
São indicados tanto para temperaturas
baixas como para altas. O desempenho
deles é maior, pois se comportam
como óleos mais “finos” (como
os de inverno) no momento da
partida do motor, oferecendo
assim boa lubrificação e menor
resistência ao movimento das
peças quando o conjunto está
frio. Um exemplo é o SAE 10W/40
que, em baixas temperaturas,
se comporta como um produto
SAE 10W, facilitando a partida
a frio. Em altas, se comporta
como um produto SAE 40, garantindo
uma película lubrificante suficientemente
espessa para proteção dos componentes.
Comparando um óleo SAE 20W/40
com um SAE 20W/50, pode-se
dizer que a baixas temperaturas
(ou na partida a frio) eles
têm a mesma fluidez, porém
a altas temperaturas o óleo
SAE 20W/50 forma uma película
mais grossa do que um lubrificante
SAE 20W/40.
Já as outras letras classificam
o lubrificante de acordo com
a especificação de sesempenho
criada pelo Instituto Americano
de Petróleo (API), com diferentes
quantidades e/ou tipos de aditivos.
Para motores a gasolina e a
álcool, o nível de desempenho
é identificado pela letra S,
de “service station” (postos
de serviço, garagem) ou Spark
(faísca ou centelha gerada
pela vela destes motores);
para motores movidos a diesel
é usada a letra C, de “commercial
oils”, ou de “compression”,
referindo-se à forma de combustão
característica desses motores.
Há uma segunda letra que indica
o tipo de serviço que o motor
é capaz de executar (quantidade
de aditivos). A qualidade é
classificada por ordem alfabética:
SA, SB, SC, SD, SE, SF, SG,
SH, SJ e SL. Os lubrificantes
SA, SB, SC e SD não estão mais
no mercado, pois as tecnologias
utilizadas em sua produção
tornaram-se ultrapassadas.
Quanto mais distante da vogal
A estiver a segunda letra,
melhor será o desempenho do
lubrificante e maior será o
número de aditivos existentes
nele.
Um bom exemplo é o óleo para
motor a gasolina ou álcool
que atende ao nível de desempenho
API SL. Ele pode ser usado
no lugar de um óleo API SG,
pois confere maior proteção
ao motor. Mesmo assim, é extremamente
importante seguir as recomendações
do manual do proprietário.
Segundo Cláudia Cavadas, engenheira
química da Castrol, a principal
preocupação do fabricante do
óleo deve ser, antes de mais
nada, avaliar quais as aprovações
e níveis de desempenho que
ele deve ter. “Hoje temos produtos
desenvolvidos para atender
exclusivamente a uma determinada
montadora, diferentemente de
10 ou 20 anos atrás, quando
todo os lubrificantes eram
nivelados tecnologicamente”,
explica Cláudia.
Fonte: Revista
Auto Esporte.